Uma experiência guiada em três movimentos

A oração que você já conhece

Cinquenta minutos. Uma oração. Sete linhas. E o Êxodo que se esconde atrás de cada uma delas.

Para o facilitador

Esta lição tem uma única função: fazer com que a oração mais familiar do cristianismo soe estranha. O grupo vai recitar palavras que disse milhares de vezes, e ao final da hora, essas palavras terão um significado que eles nunca esperaram.

Você não está ensinando. Está colocando dois textos lado a lado e deixando o grupo ver o que acontece. Cada pergunta abaixo foi feita para que o texto faça o trabalho. Seu único trabalho é ler as passagens, fazer as perguntas e proteger o silêncio.

Grupo 4–8 pessoas
Tempo ~50 minutos
Materiais Bíblias (NET de preferência), quadro branco ou papel grande, canetas
Passagens Lucas 11:1–13 + referências do Antigo Testamento fornecidas abaixo
A única regra: Não declare a conclusão. Não dê dicas. Se o grupo tiver dificuldade, reformule a pergunta. Aponte-os de volta ao texto. Deixe o silêncio fazer seu trabalho. A descoberta é o que importa. Se você contar a resposta, rouba deles o momento.
I

A oração que você já conhece

~25 minutos

Peça ao grupo para recitar o Pai Nosso juntos de memória. Não abra Bíblias. Não leia. Apenas digam.

"Vocês disseram essas palavras centenas de vezes. Hoje vamos ouvi-las."

Escreva a oração no quadro – grande, no lado esquerdo, com espaço à direita. O grupo vai ditar as palavras. Escreva o que eles disserem. Depois volte à primeira linha.

"Pai…"
Leia em voz alta — Deuteronômio 6:4

"Ouve, ó Israel: Yhwh é nosso elohim, somente Yhwh."

Este é o Shema – a oração mais importante do sistema hebraico. Todo hebreu devoto o dizia de manhã e à noite. Uma declaração formal de lealdade a Yhwh. Jesus ignora tudo isso. Abre com uma palavra.

Pergunte ao grupo

"O Shema começa com lealdade a Yhwh. Jesus começa com intimidade – uma palavra: Pai. Por que Ele ignora a oração mais importante do sistema?"

No quadro, ao lado de "Pai": O Shema – lealdade a Yhwh

"Santificado seja o teu nome. Venha o teu reino."
Leia em voz alta — Êxodo 9:16, depois Isaías 37:16

"Mas para isso mesmo eu te mantive: para te mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra." (Êxodo 9:16)

"Ó Yhwh que comanda exércitos, elohim de Israel – só tu és Deus sobre todos os reinos da terra." (Isaías 37:16)

Pergunte ao grupo

"Yhwh quer seu nome anunciado por toda a terra – pela força. Jesus diz: santificado. Separado. Protegido. E se Yhwh já governa todos os reinos, por que Jesus oraria para que um reino viesse?"

No quadro: Nome famoso pela força / Já reivindica todos os reinos

"O pão nosso de cada dia nos dá hoje"
Leia em voz alta — Êxodo 16:3–4

"Se ao menos tivéssemos morrido pela mão de Yhwh na terra do Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne, quando comíamos pão à fartura! Pois vocês nos trouxeram a este deserto para matar toda esta assembleia de fome!" (Êxodo 16:3)

"Vou fazer chover pão do céu para vocês, e o povo sairá e recolherá a porção de cada dia, para que eu os ponha à prova." (Êxodo 16:4)

Pergunte ao grupo

"Os hebreus estavam famintos. Yhwh deu o maná. Mas olhe o versículo 4: 'para que eu os ponha à prova.' O pão veio com um teste de conformidade embutido. Jesus diz: peça ao Pai o pão – diariamente, livremente, sem condições. Qual é a diferença?"

No quadro: Maná – pão com teste embutido

"Perdoa-nos os nossos pecados, assim como nós perdoamos a quem nos deve"
Leia em voz alta — Êxodo 32:33, depois Deuteronômio 19:21

"Aquele que pecar contra mim – essa pessoa eu riscarei do meu livro." (Êxodo 32:33)

"Não tenhas piedade; o princípio será vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé." (Deuteronômio 19:21)

Pergunte ao grupo

"No sistema de Yhwh, qual é o custo do perdão? Sangue, um sacerdote e um altar – ou você é riscado do livro. E o que a lei dele diz sobre perdoar uns aos outros? Olho por olho. Jesus diz: apenas peça. E perdoe uns aos outros livremente. De onde veio isso? Não está em lugar algum da Torá."

No quadro: Riscado do livro / Olho por olho

"Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do maligno"
Leia em voz alta — Deuteronômio 8:2–3, depois Números 11:1

"Ele te humilhou, deixando-te passar fome…te provando, para saber o que havia no teu coração." (Deuteronômio 8:2–3)

"O povo estava reclamando das suas dificuldades aos ouvidos de Yhwh, e quando ele os ouviu, sua ira se acendeu. Então fogo de Yhwh ardeu entre eles e consumiu parte dos arredores do acampamento." (Números 11:1)

O verbo na oração de Jesus é causativo. Não significa "permita que vaguemos até a tentação." Significa "carregue-nos para dentro" – alguém está ativamente entregando você.

Pergunte ao grupo

"Quem leva as pessoas à provação no Antigo Testamento? E se esta oração é dirigida a Yhwh – quem é 'o maligno' do qual ela pede livramento?"

No quadro: Yhwh os testa / Fogo de Yhwh

Afaste-se do quadro. Dê ao grupo um momento para olhar o que construíram juntos. A oração está à esquerda. O Êxodo está à direita.

Pergunte ao grupo

"Olhem para o quadro. Cada linha desta oração pede algo. O registro do Êxodo mostra que Yhwh forneceu alguma dessas coisas?"

Não responda. Deixe a pergunta no ar. O grupo vai carregá-la para o próximo movimento.

II

O resto da história

~15 minutos

"A oração é apenas os quatro primeiros versículos. Jesus continua – treze versículos no total, entregues como uma mensagem ininterrupta. Vamos ouvir o resto."

Peça a alguém para ler Lucas 11:5–13 direto. Sem paradas. Sem comentários. Apenas o texto.

No Êxodo, quando os hebreus continuavam pedindo comida, Yhwh enviou fogo (Números 11:1). Depois codornizes em quantidades absurdas. Depois praga – matando-os com comida ainda nos dentes (Números 11:33). Persistência os matou.

Na parábola de Jesus, um homem bate na porta à meia-noite implorando por pão. Ele não vai embora. Recebe pão.

Pergunte ao grupo

"Persistência ganha pão – não fogo, não praga, não morte. Isso combina com o padrão no quadro?"

Jesus diz: todo aquele que pede recebe. No Êxodo, pedir provocava ira. A multidão mista – os não-hebreus que saíram do Egito com Israel – foram culpados só por querer comida (Números 11:4).

Pergunte ao grupo

"Jesus diz todos. Sem exceções. Sem teste primeiro. Ele está construindo sobre o sistema que vemos no quadro – ou substituindo-o?"

Leia cada passagem devagar. Deixe o grupo ouvir a conexão.

"Lembramos dos peixes que comíamos de graça no Egito." (Números 11:5)

"Então Yhwh enviou cobras venenosas entre o povo, e elas picaram o povo; muitos israelitas morreram." (Números 21:6)

"…o grande e terrível deserto de cobras venenosas e escorpiões." (Deuteronômio 8:15)

Peixes. Cobras. Ovos. Escorpiões. Os exatos animais do deserto do Êxodo, na mesma ordem.

Escreva isso no quadro. Leia em voz alta uma vez. Depois dê ao grupo dois minutos inteiros de silêncio.

"Que pai dá uma cobra a um filho que pede peixe – e que pai fez exatamente isso?"

Se houver silêncio, proteja-o. Não reformule. Não socorra. Dois minutos. Este é o momento para o qual toda a experiência existe.

Depois do silêncio, leia Lucas 11:13 mais uma vez:

"Se vocês, sendo maus, sabem dar boas dádivas aos seus filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!"

Pergunte ao grupo

"Aquela palavra – 'maus' – é o próprio rótulo de Yhwh para a raça humana. Depois do dilúvio, ele declarou: 'a inclinação dos seus pensamentos é má desde a infância' (Gênesis 8:21). Jesus pega essa palavra e diz: até as pessoas que você chamou de más são melhores pais do que aquele que enviou as cobras."

Depois pergunte

"O Pai dá boas dádivas. Não cobras. Não escorpiões. Não pão com teste. Apenas boas dádivas, livremente. São o mesmo ser?"

III

A oração que você nunca conheceu

~10 minutos

"Começamos recitando uma oração que vocês conhecem a vida inteira. Vamos dizê-la mais uma vez."

O grupo recita o Pai Nosso novamente. Mesmas palavras. Ouvidos diferentes.

Deixe o silêncio permanecer depois da última palavra.

Pergunte ao grupo

"O que vocês ouvem agora que não ouviam cinquenta minutos atrás?"

Deixe o grupo responder. Não direcione. Alguns ficarão quietos. Alguns vão questionar. Ambos são sinais de que o texto fez seu trabalho.

Para encerrar, peça a cada pessoa uma palavra – apenas uma – que descreva o que estão sentindo agora. Sem explicação necessária. Apenas uma palavra.

Para aprofundar